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Tem coisas que parecem acolhimento… mas, no fundo, são só confirmação do que você já acredita.
Quando fé e sofrimento emocional se encontram, é comum surgir a expectativa de que alguém que compartilha da mesma crença vá compreender melhor. Mas compreender não é concordar, e cuidado psicológico não é validação automática. A escuta clínica não se orienta por valores pessoais, e sim por um compromisso ético de sustentar o que é do paciente, inclusive sua espiritualidade, quando ela faz parte da experiência. O próprio Conselho Federal de Psicologia reforça que a prática deve ser baseada na ciência e que não cabe ao profissional induzir crenças religiosas no processo terapêutico.
Existe uma diferença importante entre se sentir reconhecido e se sentir confortável. Nem tudo que conforta ajuda a elaborar. Às vezes, o que parece afinidade pode limitar perguntas importantes, suavizar conflitos necessários ou até reforçar culpas que não foram compreendidas. A terapia não existe para organizar a vida dentro de um modelo de certo e errado, mas para ampliar consciência, responsabilidade e escolha.
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